José Joaquim Correia de Almeida
Vou contar uma anedota, Que não se tenha por treta, Sobre a viagem ou rota Do rapé areia-preta.
Nas plagas americanas Esse rapé se fabrica, Mas no país das bananas Pouco vale, se aí fica.
Embarcado em nau veleira Da Europa demanda o rumo, E na rápida carreira Foge da terra do fumo.
Volta no mesmo caixote, Cujos pregos não ilude, Nem consta que se lhe bote Na Europa qualquer virtude.
Se passou na realidade Dos equinócios a linha, Reconhecer quem não lhe há de Atributos que não tinha?
Dão-lhe valor no mercado Da boa pitada os juízes, Aos quais presta o viajado Regalo para os narizes.
Que suavíssimo aroma, Dizem aqueles macacos! Cada qual o sorve, o toma, Como o melhor dos tabacos.
Vou contar outra anedota, Que não se tenha por treta, Sobre a viagem ou rota De uns que vestem roupa preta.
Nos seminários estuda Um jovem, toma-se padre, Porque Deus é quem o ajuda Em honra da Santa Madre.
Sua conduta é sem chaga, Qualquer dos mestres o atesta, Vários casos do Larraga Ele os tem dentro da testa.
Teológicos mistérios Desenvolve-os palmo a palmo, Apto para magistérios Até já levanta um salmo!
Porém isto que se aprende Em aulas americanas Pouco mérito lhe rende Neste país das bananas.
Vai-se o padre barra-fora Demandando o velho mundo, E podereis vê-lo agora De chofre sábio profundo.
Sim, senhor! Entrando em Roma, Com ver de relance o Papa Colhe de ciências tal soma, Que uma só lhe não escapa!
O sacerdote Como aquele é, Parece um bote Desse rapé.
Tem mais valia Vindo de lá Do que teria Morando cá.
Dá-lhe vantagem, Dá-lhe valor A só passagem Pelo Equador.
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