José Joaquim Correia de Almeida
Diante de nossas frutas Parece que não se abate, Nem às lutas Ou combate,
Foge o afamado abacate. Como prova do bom gosto, Na lauta mesa dos nobres Ele é posto,
E o descobres Refeição parca dos pobres. Noto, porém, que se come Ou com limão ou com vinho,
E que o tome O vizinho Adoçado um poucachinho. A preta jaboticaba
Exclui os ingredientes, Nem acabe Entre os dentes O belo sabor que sentes.
A gabiroba do prado Tem requintes de doçura, E é escusado, Nem se atura
Açúcar nem rapadura. Se o ananás tem coroa, Decerto bem o merece; Cousa boa
Me parece, Pois de adubos não carece. No meio desses magnates, Por entre os parlamentares,
Grande porção de abacates É mui fácil de encontrares. Mérito próprio é bem raro, Luz refletida é emprestada,
E o país paga bem caro Muita lição orelhada. E nos trabalhos de peso, Nos importantes debates,
Empertigado e bem teso Brilha algum dos abacates? Tudo neles é postiço, Por si não presta a pessoa;
Entretanto e apesar disso Seu renome se apregoa! Aquele por ser parente, Estoutro por ser visconde,
Têm o valor aparente, Que o real ’stá não sei onde!
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