Da casimira
Vendo-se a teia,
De um lado admira,
Mas do outro é feia.
Se isto respeita,
E cabe ao pano,
Também se ajeita
Ao ente humano.
Um, que aí vedes,
Jurisconsulto
Fura paredes
Só por indulto.
Aquele passa
Por ser fidalgo,
Porque na caça
Usa de um galgo.
Eis desse nobre
A fidalguia,
No mais se cobre
De vilania.
Este, modelo
De sã virtude,
Por mais podê-lo,
Mais nos ilude.
Estoutro goza
De sábio a fama,
Dá-nos babosa,
Dorme na cama.
Vate que escreve
Só de improviso,
Já nos ter deve
De sobreaviso.
Há na ciência
Da criatura
Muita aparência,
Muita impostura.