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1820–1905

OU ISSO!

José Joaquim Correia de Almeida

Liso inventor anuncia em repetidos cartazes um segredo que traria resultados eficazes.

Pela sincera linguagem tu bem convencido julgas que são de imensa vantagem os tais pós de matar pulgas.

Há chusmas de compradores, pois é o segredo armadilha que apanha grossos valores, qual nova salsaparrilha.

O chale, a saia, a camisa, a colcha, o lençol, a esteira, em suma, tudo precisa da mortífera poeira.

Nenhum trabalho se poupa, e o mundo inteiro se ocupa em ver se extingue na roupa a importuna sangue-chupa.

Mas o bichinho teimoso vai mordendo e continua na antiga posse, e no gozo da pele vestida ou nua.

E por mais que Ana Delfina o pescoço e os braço s cubra, deixa ver na cútis fina muita e muita pinta rubra.

Se presumível já fora que sempre estaria em voga, a invenção destruidora parece que deu em droga!

Comprador mais exigente ao droguista participa que, apesar dos pós, a gente das pulgas não se emancipa.

Então este mais que prestes as circunstâncias indaga: — de que modo vos houvestes para dar cabo da praga?

— Derramei o pó comprado sobre o corpo, cama e lixo; nenhum lugar foi poupado onde resida tal bicho.

— Pois não é como se julga, esse o melhor dos caminhos! Apanhai com jeito a pulga, pulverizai-lhe os olhinhos.

— Se posso mais facilmente com este dedo esmagá-la... — Não serei eu quem sustente que a pulga assim não estala!

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