Engodo da fantasia,
Ilusão, credulidade,
Palavra especulativa,
Quimérica Liberdade!
Se, melífluo termo, adoças
O cativeiro de agora,
Era mais ordeiro e plácido
O cativeiro de outrora.
Porque o vassalo, ciente
Das garantias do escravo,
Curva ao cutelo a cerviz,
Não procura desagravo.
Inda assim eu não quisera
Ordeiros tempos de outrora,
Pelos quais eu não trocara
Revoltos tempos de agora.
Adornada de ouro e púrpura
Hodierna tirania,
Erguida pelos carolas
Num ardor de hipocrisia.
Não merece equiparar-se,
Por leve comparação,
Ao canonizado Santo
Tribunal da Inquisição,
Que funcionou nesses tempos,
Ordeiros tempos de outrora,
Pelos quais eu não trocara
Revoltos tempos de agora.