— Foste à corte? — De lá venho.
— E trazes fazenda boa?
— Fazenda má eu não tenho,
pois não compro cousa à toa.
— Qual a casa em que compraste
o sortimento que trazes?
— Noutra melhor não entraste,
nem pechincha melhor fazes.
— Compraste à vista ou a prazo?
Lá isso é indiferente;
nunca me apanha em atraso
o cometa impertinente.
— És um freguês de mão cheia!
E que obséquios recebes?
— Caluda! Não ’stou de veia,
e tu mui bem o percebes.
— Tens tido dádiva certa...
— Isso agora o que te importa?
Recebo em Dezembro a oferta
de uma folhinha de porta.