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1820–1905

O MUSEU DO RIO DE JANEIRO

José Joaquim Correia de Almeida

Versos de Homero e de Horácio debalde estou procurando! Nem da Grécia nem do Lácio aqui entra contrabando!

E muito bruto se encontra, cada um de sua casta, a irara, a cutia, a lontra, e a jiboia, que se arrasta.

Enfadonho vos parece se, um por um, especifico macacos de toda espécie, desde o orangotango ao mico.

Aumentam a bicharia bicharocos da Jamaica, e há bastante poesia em coleção tão prosaica!

Ver o pato acaçapado, ou marreco pernicurto, considero requintado prazer, a que me não furto.

Observando tanta mesa, cabide, armário e mais trastes, causam-me grata surpresa inesperados contrastes!

Pois vejo em rasos lugares entre a vil brutalidade cadáveres seculares da soberba humanidade!

Qualquer deles é de gente (raça melhor que a do mono) e talvez régio ascendente em grau milésimo nono.

Quem quiser ter de sobejo mui poéticos assuntos veja, como eu também vejo, nas múmias vivos defuntos.

Qual o nome deste prédio que tantos mortos encerra? Quero fazer-lhe o epicédio, se a fantasia não erra.

— Museu — dizes que se chama, e eu tenho ide ias confusas! Museu, se creio na fama, já foi o templo das Musas.

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