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1820–1905

O ESCRAVO JUSTIÇADO

José Joaquim Correia de Almeida

Se o homem foi feito à imagem E semelhança de Deus, É por certo, a liberdade Um dos privilégios seus.

Destruir esse direito É transgressão evidente Da lei de Deus, que reformas Não tolera, nem consente.

Entretanto no Brasil Preceito humano que voga As ordenações Divinas Expressamente deroga.

Ímpio senhor desumano Com mortífero azorrague Do miserando cativo Dilacere o corpo e o chague,

Qual tigre bravio e fero Beba-lhe o sangue de um sorvo; No cadáver saboreie-se, Como faz o imundo corvo;

Que se o escravo — coitado! Defendendo seu direito, Reage contra o verdugo, E lhe fere o infame peito,

Sem maior formalidade Uma forca se improvisa, Onde segundo carrasco A cerviz do escravo pisa.

E assim, conforme o código, É circunstância agravante O que a lei natural chama Circunstância atenuante.

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