Ao relento, à chuva, ao frio,
Ao rigor do sol ardente,
Incessante trabalhava
Um escravo diligente.
Cultivando a terra dura,
E regando-a com suor,
Facilitou muito lucro,
Deu muito ganho ao Senhor.
Estragou-se-lhe a saúde,
Apareceu a morfeia,
Priva-o de ser prestimoso
A enfermidade mais feia.
E o senhor de consciência,
Reconhece a iniquidade,
Que pratica contra o escravo
Tolhendo-lhe a liberdade.
Sem hesitar ao cativo
Passa carta de alforria,
Não consente que demore
Em seu poder um só dia.
Siga o caminho do mundo,
Leve a moléstia consigo,
Em liberdade exercite
A profissão de mendigo.
Enquanto o fio da vida
Não se quebra, não se corta,
O miserando liberto
Pede o pão de porta em porta.