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1820–1905

O ESCRAVO ENFERMO

José Joaquim Correia de Almeida

Ao relento, à chuva, ao frio, Ao rigor do sol ardente, Incessante trabalhava Um escravo diligente.

Cultivando a terra dura, E regando-a com suor, Facilitou muito lucro, Deu muito ganho ao Senhor.

Estragou-se-lhe a saúde, Apareceu a morfeia, Priva-o de ser prestimoso A enfermidade mais feia.

E o senhor de consciência, Reconhece a iniquidade, Que pratica contra o escravo Tolhendo-lhe a liberdade.

Sem hesitar ao cativo Passa carta de alforria, Não consente que demore Em seu poder um só dia.

Siga o caminho do mundo, Leve a moléstia consigo, Em liberdade exercite A profissão de mendigo.

Enquanto o fio da vida Não se quebra, não se corta, O miserando liberto Pede o pão de porta em porta.

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