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1820–1905

O CHARUTISTA

José Joaquim Correia de Almeida

Até à vista De gente limpa O charutista Vai, e se chimpa.

É na presença De gente honesta Pior doença, Causa molesta.

O homem polido, Por mais que faça, Vê-se aturdido Pela fumaça.

Inquieto e triste Escarra e tosse, Porém persiste O outro na posse.

E só pergunta A toda a roda Que aí está junta, Se os incomoda?

“Ora essa é boa! Eis a resposta, Sua pessoa Não nos desgosta!”

E o malcriado Não avalia Que é tolerado Por cortesia.

Ele asqueroso Mau cheiro exala, E exclui o gozo De qualquer sala.

A quem ele ama Produz enjoo, Da pobre dama Eu me condoo.

Por gosto impuro Queima fedores, E, vil monturo, Requesta amores.

A moça linda Amar não pode A um tal que ainda Torce o bigode,

Sem recordar-se De que na coma Sabe aninhar-se O ruim aroma.

Se a uma bela Carícias pede, Merece dela Quem tanto fede?

Ela não sofre Este basbaque Sem muito enxofre Ou Labarraque.

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