Até à vista
De gente limpa
O charutista
Vai, e se chimpa.
É na presença
De gente honesta
Pior doença,
Causa molesta.
O homem polido,
Por mais que faça,
Vê-se aturdido
Pela fumaça.
Inquieto e triste
Escarra e tosse,
Porém persiste
O outro na posse.
E só pergunta
A toda a roda
Que aí está junta,
Se os incomoda?
“Ora essa é boa!
Eis a resposta,
Sua pessoa
Não nos desgosta!”
E o malcriado
Não avalia
Que é tolerado
Por cortesia.
Ele asqueroso
Mau cheiro exala,
E exclui o gozo
De qualquer sala.
A quem ele ama
Produz enjoo,
Da pobre dama
Eu me condoo.
Por gosto impuro
Queima fedores,
E, vil monturo,
Requesta amores.
A moça linda
Amar não pode
A um tal que ainda
Torce o bigode,
Sem recordar-se
De que na coma
Sabe aninhar-se
O ruim aroma.
Se a uma bela
Carícias pede,
Merece dela
Quem tanto fede?
Ela não sofre
Este basbaque
Sem muito enxofre
Ou Labarraque.