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1820–1905

MINHA PROFISSÃO

José Joaquim Correia de Almeida

A fortuna caprichosa Conspirou-se contra mim; Sentei-me por meus pecados, Na cadeira de latim.

Engenhos de transcendência, Talentos aquilatados, Neste museu de rapazes São por mim apreciados.

Aquele moço de tino Liga bem duas ideias; Supõe que Dido era macho, Que era fêmea o pio Eneias.

Que de cólicas não faz Ouvir um pobre pascácio Dizer falsos testemunhos Contra Ovídio e contra Horácio!

Em ode, que chamam, sáfica Diz o vate que a cidade Temeu que se renovasse Do dilúvio a c’lamidade,

Quando Proteu multiforme Os escamosos rebanhos Apascentou nos cabeços Desses oiteiros camanhos;

Quando os peixes foram ter Aos elevados raminhos, Habitação conhecida Somente dos passarinhos.

Pergunta o lente ao discípulo A razão por que galgaram As montanhas, e nas árvores Guelrosos peixes tocaram.

Foi porque, meu padre-mestre, Morreu de velho o seguro: Recearam afogar-se, Segundo bem conjecturo.

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