Encontrando um amigo
A quem não tenho visto, há muitos dias,
Boas palavras digo,
Por cumprir o dever das cortesias.
Tens notícias do primo?
Como vai de negócio e de saúde?
Sinceramente estimo
Que próspera a fortuna sempre o ajude.
Tive-as pelo paquete,
Eis que responde o amigo a quem pergunto,
E em seguida repete
Da carta recém-vinda todo o assunto.
Em tudo quanto disse
A epístola que o primo lhe enviara
Imensa parvoíce
E nada mais se lê, nem se depara.
É bem e assaz notável
O post-scriptum que vem no fim da carta,
Tal, e tão desfrutável,
Que a gente põe-se a rir, e não se farta!
Em resumo, o parente
A fim de que aos estólidos o ajuntem,
Envia ingenuamente
Lembrança aos que por ele aqui perguntem.
E estoutro que recebe
Uma incumbência tal, sem que a rejeite,
Parece-me que bebe,
Crendo ser água, um copo bom de azeite.
Ambos estes papalvos,
Esta parelha de asnos tão estulta,
Do riso sejam alvos,
Visto serem do número que avulta.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.