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1820–1905

IX

José Joaquim Correia de Almeida

Encontrando um amigo A quem não tenho visto, há muitos dias, Boas palavras digo, Por cumprir o dever das cortesias.

Tens notícias do primo? Como vai de negócio e de saúde? Sinceramente estimo Que próspera a fortuna sempre o ajude.

Tive-as pelo paquete, Eis que responde o amigo a quem pergunto, E em seguida repete Da carta recém-vinda todo o assunto.

Em tudo quanto disse A epístola que o primo lhe enviara Imensa parvoíce E nada mais se lê, nem se depara.

É bem e assaz notável O post-scriptum que vem no fim da carta, Tal, e tão desfrutável, Que a gente põe-se a rir, e não se farta!

Em resumo, o parente A fim de que aos estólidos o ajuntem, Envia ingenuamente Lembrança aos que por ele aqui perguntem.

E estoutro que recebe Uma incumbência tal, sem que a rejeite, Parece-me que bebe, Crendo ser água, um copo bom de azeite.

Ambos estes papalvos, Esta parelha de asnos tão estulta, Do riso sejam alvos, Visto serem do número que avulta.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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