José Joaquim Correia de Almeida
Se provei, leitor, que o nome Não dá a conhecer as cousas, Por sofisma ninguém tome, E tu decerto o não ousas.
Quero indicar a mezinha, Visto que noto a moléstia; A ideia é minha, só minha, E é grande, salva a modéstia.
Vou tomar-me reformista, Propondo várias reformas, Para as quais já tenho à vista Exemplos e boas normas.
Não se assustem rotineiros, Nem tenham raiva ou ciúmes; Aconselham-me os janeiros Que só reforme costumes.
Em nada altero a doutrina Do Padre Antônio Pereira, Sendo uma entidade trina Eu com ele e o Madureira.
Entre os Romanos alcunha, Muito expressiva e adequada, Nos indivíduos se punha Depois de ação praticada.
Múcio mete a mão no fogo, Aleija-se quando a peta Impinge a Porsena, e logo O conhecem por maneta.
Da ponte esse herói sublime, Por ter defeito de um olho, Do epíteto não se exime De — Cocles ou Caraolho.
Valérios e Mânlios eram Obscuros, porém de fatos Apelidos lhes vieram De — Corvinos e Torquatos.
Ao caráter lá se deve Alguma alcunha de chiste, Mas um rei soberbo teve De soberbo o nome triste.
Deste modo o substantivo Tanto vale quanto soa, E assim é demonstrativo Ou da causa ou da pessoa.
Proponho pois, que se adote Desses Romanos a moda; Entre nós latino dote Facilmente se acomoda.
E fica intacta a doutrina Do Padre Antônio Pereira, Sendo uma entidade trina Eu com ele e o Madureira.
Se rotina com reforma Ninguém sabe como exista, Bem pode servir de norma O status quo progressista.
Cookies on Poetry Cove