São rápidas as modas
E há quem lhes acompanhe o veloz curso;
Bem apuradas todas
Não merecem as honras do discurso.
Diferença de clima,
Grau diverso entre os frios e calores
Não se avalia ou estima,
Que a moda não aceita aferidores.
Se além resiste ao gelo
O grosso cachenês de curtas malhas,
Deve assíduo trazê-lo
Quem mora do Brasil nestas fornalhas.
Muito insensato estuda
As cores dos pintados figurinos,
E a cada passo muda
As casacas de panos os mais finos.
E nunca se desmancha
Ou renova-se a gola, ou mesmo as abas;
Não se utiliza a ensancha,
Porque tu, fresca moda, o menoscabas.
Fazenda sempre nova,
De mor preço, mor lustre, e menos dura
É testemunho e prova
Do gosto que se esmera e que se apura.
Esse tempo é remoto,
Esse dia de névoa já não raia,
Em que ao sobrinho roto
A tia fez um fraque de uma saia.
Hoje um rapaz sem rendas,
À custa do bom pai que o facilita,
Veste caras fazendas;
São de Havana os charutos que ele pita.
E só por uma destas,
Em honra e desagravo do bom senso,
Devem trazer nas testas
Pais como aquele um T bem largo e extenso.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.