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1820–1905

IV

José Joaquim Correia de Almeida

São rápidas as modas E há quem lhes acompanhe o veloz curso; Bem apuradas todas Não merecem as honras do discurso.

Diferença de clima, Grau diverso entre os frios e calores Não se avalia ou estima, Que a moda não aceita aferidores.

Se além resiste ao gelo O grosso cachenês de curtas malhas, Deve assíduo trazê-lo Quem mora do Brasil nestas fornalhas.

Muito insensato estuda As cores dos pintados figurinos, E a cada passo muda As casacas de panos os mais finos.

E nunca se desmancha Ou renova-se a gola, ou mesmo as abas; Não se utiliza a ensancha, Porque tu, fresca moda, o menoscabas.

Fazenda sempre nova, De mor preço, mor lustre, e menos dura É testemunho e prova Do gosto que se esmera e que se apura.

Esse tempo é remoto, Esse dia de névoa já não raia, Em que ao sobrinho roto A tia fez um fraque de uma saia.

Hoje um rapaz sem rendas, À custa do bom pai que o facilita, Veste caras fazendas; São de Havana os charutos que ele pita.

E só por uma destas, Em honra e desagravo do bom senso, Devem trazer nas testas Pais como aquele um T bem largo e extenso.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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