Skip to content
1820–1905

IV

José Joaquim Correia de Almeida

Inda declino outros nomes, Quem se ofender com isto, erra; A carapuça não tomes, Há mais Marias na terra.

Se esta razão é tão justa, Não me calo, nem amuo; Visto que ninguém se assusta, A demonstrar continuo.

Pacífico de Siqueira É rixoso, e se faz pazes, Não dá, por mais que ele o queira, As garantias capazes.

O nosso parceiro Franco É homem que se concentra, Deixa sempre o amigo em branco, E no peito não se lhe entra.

O Reverendo Severo Eu não digo que não ame, Mas também não assevero, Da sã moral o ditame.

É sem cortesia o Urbano, E a regras não está sujeito; Faz das orelhas abano, Se lhe não sai tudo a jeito.

Macaco velho é o Simplício, Não se arranha nem machuca, E, por ter longo exercício, Não mete a mão na cumbuca.

O literato Castiço Compõe, escreve romances, E em seu aranzel mestiço Vai pondo o idioma em transes.

O censor crítico Lima, Quer na fula quer no escrito, Não se corrige nem prima, E a sintaxe tem proscrito.

O meu colega Modesto Não espera que outrem gabe-o, E, apesar do meu protesto, Tem-se na conta de sábio.

O proletário Raimundo Ao relento na ribeira Como será rei do mundo Se não tem eira nem beira?

De Narciso e de Jacinto Têm o nome alguns senhores, Mas o aroma lhes não sinto, Porque não cheiro tais flores.

Justificando a reforma Que tenho em vista, quis antes Apresentar desta forma Estes exemplos frisantes.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
IV · José Joaquim Correia de Almeida · Poetry Cove