Inda declino outros nomes,
Quem se ofender com isto, erra;
A carapuça não tomes,
Há mais Marias na terra.
Se esta razão é tão justa,
Não me calo, nem amuo;
Visto que ninguém se assusta,
A demonstrar continuo.
Pacífico de Siqueira
É rixoso, e se faz pazes,
Não dá, por mais que ele o queira,
As garantias capazes.
O nosso parceiro Franco
É homem que se concentra,
Deixa sempre o amigo em branco,
E no peito não se lhe entra.
O Reverendo Severo
Eu não digo que não ame,
Mas também não assevero,
Da sã moral o ditame.
É sem cortesia o Urbano,
E a regras não está sujeito;
Faz das orelhas abano,
Se lhe não sai tudo a jeito.
Macaco velho é o Simplício,
Não se arranha nem machuca,
E, por ter longo exercício,
Não mete a mão na cumbuca.
O literato Castiço
Compõe, escreve romances,
E em seu aranzel mestiço
Vai pondo o idioma em transes.
O censor crítico Lima,
Quer na fula quer no escrito,
Não se corrige nem prima,
E a sintaxe tem proscrito.
O meu colega Modesto
Não espera que outrem gabe-o,
E, apesar do meu protesto,
Tem-se na conta de sábio.
O proletário Raimundo
Ao relento na ribeira
Como será rei do mundo
Se não tem eira nem beira?
De Narciso e de Jacinto
Têm o nome alguns senhores,
Mas o aroma lhes não sinto,
Porque não cheiro tais flores.
Justificando a reforma
Que tenho em vista, quis antes
Apresentar desta forma
Estes exemplos frisantes.