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1820–1905

III

José Joaquim Correia de Almeida

Declinarei certos nomes, Quem se ofender com isto, erra; A carapuça não tomes, Há mais Marias na terra.

Se esta razão é tão justa, Não me calo, nem amuo; Visto que ninguém se assusta, A demonstrar continuo.

Escute quem não for surdo O que vou dizer em trovas, Releve qualquer absurdo Que fizer parte das provas.

O nome de uma pessoa O que ela é não indica, Se ela é má, ou se ela é boa Pelo nome não se explica.

Fulano de tal Carneiro, Eu assevero e não minto, Tem de lobo carniceiro A manha, o feroz instinto.

Sicrano de tal Prudente, Ou queime-se logo em frágua, Ou exija queixo ou dente, Vai dando co’os burros n’água.

Beltrano de tal das Neves Com tanto calor se abrasa, Que estar com ele não deves, Nem podes na mesma casa.

Petições ao Frutuoso Eu a ninguém aconselho; De seus frutos não há gozo, Desse mato não sai coelho.

Clarimundo Albino Dias Por temer do solo açoite Faz as suas correrias E passeios alta noite.

Pelo contrário o Coruja, Ou de manhã ou de tarde, Temendo que o sol lhe fuja, Se mostra com grande alarde.

Se o Perdigão joga as cartas, Feliz herdeiro é quem lhe herde; Possui algibeiras fartas, Pois no jogo nunca perde.

É caipora o Felizardo, Se da banca se avizinha; Parece filho bastardo Da sorte, que lhe é mesquinha.

O senhor Boaventura Tem um nome que lhe quadra, Das tropas na formatura Subiu a cabo de esquadra!

De um Tristão a fama existe, Cantava ao som da viola, E não soube viver triste, Porque o lundu o consola.

Justificando a reforma Que tive em vista, quis antes Apresentar desta forma Estes exemplos frisantes.

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