Viajou pela Europa
Um fofo Brasileiro, e com proveito;
Pois, se acaso nos topa,
Nos dá provas de estólido perfeito.
Esqueceu nossa língua
Por ter andado longe, há uns seis meses,
E, na penúria e míngua,
De intérprete o criado faz-lhe as vezes.
Desconhece iguarias,
Insípidas que nunca ele as cobiça,
E, usando algaravias,
Pergunta como chama-se a linguiça.
Não pode demorar-se
Neste país de bugres, terra inculta,
E já nem por disfarce
A supina ignorância nos oculta.
Aqui não há vantagem,
Diz ele, não se vive, se vegeta!
Pois bem! Tem a passagem
Mui franca, vá-se embora esse pateta.
Mas antes que se ausente
Para viver na terra onde se vive,
De asno leve a patente,
E assim melhor se instrua e se cultive.
Engrossem-se as fileiras
Dos esquadrões valentes da estultícia,
Tremulem as bandeiras
De sua universal forte milícia.