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1820–1905

III

José Joaquim Correia de Almeida

Viajou pela Europa Um fofo Brasileiro, e com proveito; Pois, se acaso nos topa, Nos dá provas de estólido perfeito.

Esqueceu nossa língua Por ter andado longe, há uns seis meses, E, na penúria e míngua, De intérprete o criado faz-lhe as vezes.

Desconhece iguarias, Insípidas que nunca ele as cobiça, E, usando algaravias, Pergunta como chama-se a linguiça.

Não pode demorar-se Neste país de bugres, terra inculta, E já nem por disfarce A supina ignorância nos oculta.

Aqui não há vantagem, Diz ele, não se vive, se vegeta! Pois bem! Tem a passagem Mui franca, vá-se embora esse pateta.

Mas antes que se ausente Para viver na terra onde se vive, De asno leve a patente, E assim melhor se instrua e se cultive.

Engrossem-se as fileiras Dos esquadrões valentes da estultícia, Tremulem as bandeiras De sua universal forte milícia.

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