Certo importuno,
loquaz pigmeu,
é na estatura
meio Zaqueu.
É tudo curto
naquele anão,
curtos dedinhos
em cada mão.
De polegada
talvez não é
o comprimento
de cada pé.
Se lhe tosquiam
bem rente a lã,
finge a cabeça
uma avelã.
É perereca
na voz ruim,
e é nos trejeitos
como o saguim.
Usa quartola
este neném,
trazendo a carga
como a quem-quem.
Muitos conheço
de corpo anões,
que não têm n’alma
nenhuns senões.
Se eles são regra,
seja exceção
este contraste
do homenzarrão.
Por ter corpinho,
não é que é mau;
cavalo grande,
besta de pau.
Mas é de alminha
tal este herói
que das desgraças
não se condói.
Este homem zero
tem coração?
Quem o auscultasse
diria: não.
Inteligência
ele não tem,
e, se o duvidam,
a prova aí vem:
Quanto ao presente
nada nos diz,
e, noves fora,
dispensa o giz
Suas ideias
quanto ao porvir
são parvoíces
que fazem rir.
Suas lembranças,
quanto ao que foi,
parecem palhas
que engole o boi.
A homeopatia,
que os nadas vê,
colha este argueiro,
valor lhe dê.
Globulozinho
menor não há
do que o pequeno
Gil Vaz de Sá.