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1820–1905

GLOSA

José Joaquim Correia de Almeida

Os heróis de nossa terra Alçaram o vício ao trono, E, por nosso desabono, Tudo quanto o vício encerra;

A boa fé se desterra, E degrada-se o civismo: Ambicioso egoísmo Temendo a luz que o ofusca,

Suplantar procura, busca O nobre patriotismo. É bem fácil a vitória Do perverso contra o justo,

Sem trabalho ou maior custo Alcança troféus e glória, E no templo da Memória Belo artífice esculpindo

Um letreiro esbelto e lindo Põe por dístico no cobre: — O Patriotismo nobre Caiu no exercício findo.

Depois de formal derrota, Segue-se bom resultado; A Constituição do Estado É, folha por folha, rota:

Aumenta-se a verba e quota, É cada empregado harpia, E a funesta oligarquia Trata de realizar

Aquilo que, por zombar, O gênio do mal dizia. Contínua calamidade, A guerra, a fome, a desgraça,

Febre amarela que grassa, E dizima a humanidade: Por Cúm’lo de iniquidade A pública fé caindo

E o perjúrio progredindo, Mais do que certo fizera O que o gênio predissera Sarcasticamente rindo.

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