Os heróis de nossa terra
Alçaram o vício ao trono,
E, por nosso desabono,
Tudo quanto o vício encerra;
A boa fé se desterra,
E degrada-se o civismo:
Ambicioso egoísmo
Temendo a luz que o ofusca,
Suplantar procura, busca
O nobre patriotismo.
É bem fácil a vitória
Do perverso contra o justo,
Sem trabalho ou maior custo
Alcança troféus e glória,
E no templo da Memória
Belo artífice esculpindo
Um letreiro esbelto e lindo
Põe por dístico no cobre:
— O Patriotismo nobre
Caiu no exercício findo.
Depois de formal derrota,
Segue-se bom resultado;
A Constituição do Estado
É, folha por folha, rota:
Aumenta-se a verba e quota,
É cada empregado harpia,
E a funesta oligarquia
Trata de realizar
Aquilo que, por zombar,
O gênio do mal dizia.
Contínua calamidade,
A guerra, a fome, a desgraça,
Febre amarela que grassa,
E dizima a humanidade:
Por Cúm’lo de iniquidade
A pública fé caindo
E o perjúrio progredindo,
Mais do que certo fizera
O que o gênio predissera
Sarcasticamente rindo.