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1820–1905

ESCREVINHADORES ÍMPIOS

José Joaquim Correia de Almeida

Parlapatão sem talento para o que é de utilidade, cabeça cheia de vento, quer ser notabilidade?

Já se sabe, faz da imprensa indecente pelourinho, e, semeando a descrença, vai andando seu caminho.

Mil palavrões amontoa, mil disparates escreve, dizendo a mentira à toa, sem o chiste do Almocreve.

Da insolente virulência ofendido, não te abrases; consiste sua ciência no destempero das frases.

Da História os fatos ajeita, se inteiramente os não finge; quando menos se suspeita, carapetões nos impinge.

É raro que este insensato como possesso não esteja em furioso desacato contra a Santa Madre Igreja.

Se tais ímpios não conhecem que poder lhe deu o Eterno, nem por isso prevalecem contrárias portas do inferno;

inda que por serem largas saiam demônios aos pares, e, importados como cargas, ímpios entre m aos milhares;

ainda que o publicista de desastrado talento tenha sua alma na lista daquele carregamento.

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