Parlapatão sem talento
para o que é de utilidade,
cabeça cheia de vento,
quer ser notabilidade?
Já se sabe, faz da imprensa
indecente pelourinho,
e, semeando a descrença,
vai andando seu caminho.
Mil palavrões amontoa,
mil disparates escreve,
dizendo a mentira à toa,
sem o chiste do Almocreve.
Da insolente virulência
ofendido, não te abrases;
consiste sua ciência
no destempero das frases.
Da História os fatos ajeita,
se inteiramente os não finge;
quando menos se suspeita,
carapetões nos impinge.
É raro que este insensato
como possesso não esteja
em furioso desacato
contra a Santa Madre Igreja.
Se tais ímpios não conhecem
que poder lhe deu o Eterno,
nem por isso prevalecem
contrárias portas do inferno;
inda que por serem largas
saiam demônios aos pares,
e, importados como cargas,
ímpios entre m aos milhares;
ainda que o publicista
de desastrado talento
tenha sua alma na lista
daquele carregamento.