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1820–1905

CAMÉLIA VIAJANTE

José Joaquim Correia de Almeida

Em prova de simpatia, que tributo à Dona Amélia, por intermédio da tia enviei-lhe uma camélia.

E Dona Amélia a seu turno, mostrando ser generosa, à prima de alto coturno envia a flor primorosa.

Para que melhor exprima de seu afeto a pureza, manda a flor aquela prima para a donzela Teresa.

E a travessa Teresinha, que de amores faz chacota, lembrou-se que era vizinha da jovial Maricota.

Também Maricota envia a Camélia a Florisbela, dizendo que não havia flor mais lustrosa e mais bela.

Vai o mimo para Emília, daí para Filomena; recebe-o cada família com a expressão mais amena.

A camélia é de Matilde, é da jovem Cunegundes; passa das mãos de Clotilde à viúva do Fagundes.

Depois destas viravoltas, após redondo passeio, linda flor, eis que me voltas, e repousas em meu seio.

Um bom pipote de vinho, lombo, presunto ou salmão não pudera, eu adivinho, reverter à minha mão.

Remeda jardim florido estrelado céu de anil porém será preferido sempre o gostoso pernil.

Que eu envie à Dona Amélia, aconselha a Salomé, um lombo em vez de camélia, no dia de São Tomé.

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