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1820–1905

AS UVAS DE S. MACARÁRIO

José Joaquim Correia de Almeida

São Macário, no deserto suportando sóis e chuvas, em dia de jejum certo recebeu um cacho de uvas.

Por não quebrar o preceito, não leva aos dentes um bago, e a outro ermitão perfeito as remete sem estrago.

Este segundo a terceiro oferece o belo cacho, que viaja intacto e inteiro, sem passaporte ou despacho.

Do terceiro vai ao quarto, que, solitário abstinente, apesar de menos farto, a quinto envia o presente.

Dirige o cacho este quinto para Macário a seu turno, e só assim fica extinto esse giro diuturno.

Lei diversa nos regula neste tempo derradeiro! Peca-se tanto na gula, que este conto verdadeiro

faz que a saliva se engula.

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