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1820–1905

AS INCOMPATIBILIDADES

José Joaquim Correia de Almeida

Baldo de engenho e d’arte, sem profundo talento, Um notável portento Cantando espalharei por toda a parte.

Verá quem não é cego Esta contradição: No médio cidadão Incompatível é qualquer emprego.

O ser vereador, E ser juiz de paz, Que conciliação faz Excesso é, que se pune com rigor.

É terrível delito Que, por ordem do dia Ou grave portaria Do presidente leva grande pito.

Nas altas regiões Diverso galo canta, Ninguém por lá se espanta De exercer um milhão de ocupações.

Ocupações rendosas, Que não causam fastios, Fofos colchões macios, Ou leito suavíssimo de rosas.

O feito deputado Na casa toma assento: Só deixa por momento A vara de juiz ou magistrado.

Porque encerrada a cuja, Regressa para a banca, E de novo desbanca, Primando na sentença ou garatuja.

E pode o senador Fazer-se conselheiro, Ministro financeiro, E de tudo aceitar paga e valor.

Este, que a pátria cara Sob a tutela toma, Para aumentar a soma Se mais mundos houvera lá chegara.

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