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1820–1905

APREÇO DE UM PRESENTE

José Joaquim Correia de Almeida

Auriverde papagaio Na gaiola sopeado Da valições de retórica Em discurso castigado.

E cantor melodioso De grave ou de aguda nota, No brasileiro lundu Trunfava de basto e sota.

Era o mimo da família, Do senhorio as delícias; Dava o pé, dava piolho, Recebia mil carícias.

Quem o solfejo lhe ouvira, E ouvira a eloquência rara, Munido de entendimento E de razão o julgara.

Do pássaro ilustre o dono Assentou para consigo Mandá-lo no dia de anos De presente a um amigo.

Assim fez, e noutro ensejo C’o bom amigo se junta. — Recebeste o papagaio? — Eis a primeira pergunta.

— Obrigado, diz aquele, Por um tão belo presente: Manduquei-o com arroz, E como estava excelente!

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