Quis a lei da natureza
Que a vegetal abobreira,
Qual a serpente abatida,
Fosse uma planta rasteira.
Ela se arrasta, é verdade;
Mas, quando pode arrimar-se,
Abandona o chão que é seu,
Trata logo de elevar-se.
Quebranta da natureza
As invioláveis obras;
Deixa pender lá de cima
Os frutos, que são abobras.
Não se nota isto somente
Nesse reino vegetal;
Há certa classe de gente
Abobreira racional.
Ela se arrasta, é verdade;
Mas, quando pode arrimar-se,
Abandona o chão que é seu,
Trata logo de elevar-se.
Então lá de cima pendem
Os frutos de suas obras;
Porém de gente abobreira
Os frutos são sempre abobras!