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1820–1905

APÓLOGO, A ABOBREIRA

José Joaquim Correia de Almeida

Quis a lei da natureza Que a vegetal abobreira, Qual a serpente abatida, Fosse uma planta rasteira.

Ela se arrasta, é verdade; Mas, quando pode arrimar-se, Abandona o chão que é seu, Trata logo de elevar-se.

Quebranta da natureza As invioláveis obras; Deixa pender lá de cima Os frutos, que são abobras.

Não se nota isto somente Nesse reino vegetal; Há certa classe de gente Abobreira racional.

Ela se arrasta, é verdade; Mas, quando pode arrimar-se, Abandona o chão que é seu, Trata logo de elevar-se.

Então lá de cima pendem Os frutos de suas obras; Porém de gente abobreira Os frutos são sempre abobras!

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