Ouve-me, escuta,
Senhor injusto;
O que te digo
É reto e justo.
Com que direito
Tens teu irmão
Em odiosa
Escravidão?
A lei divina
E a natural
Não o fizeram
Em tudo igual?
Tu não ignoras,
Homem feroz;
Fazes-te surdo
À austera voz.
Da consciência
Que reprovando
O crime horrendo
Te está falando.
Ao descendente
Do mesmo Adão,
Ímpio forjaste
Duro grilhão.
Se o consanguíneo
Assim flagelas,
Santos preceitos
Tu atropelas.
Insuportável
Ultraje, agravo,
Do homem livre
Fazer-se escravo!
Teme a justiça
Do foro eterno
— Aos bons a Glória;
Aos maus, o inferno —.