José Joaquim Correia de Almeida
Eu te esconjuro, época de lodo, Progenitora fértil de acanhados Pigmeus de braços curtos, paralíticos, Ineptos, incapazes de reger
Decúria de uma escola, quanto mais Destinos de um Império Americano! Idade azinhavrada, onde sumiram-se Denodados heróis que tão brilhantes
Dias de juventude ao Brasil deram! Onde está por acaso o austero, o rígido Feijó, Paulista digno de renome, De estátuas imortais, perenes digno?
Os abissínios da pátria o apedrejaram No descer ao ocaso, à sepultura! (Oh vergonha!) cuspiram-lhe na cova! Tais são, tais são as cousas deste mundo!
De honestos patriotas sem estigma, Sem lívido ferrete de ignomínia Quantos restam nos dias que decorrem? Algum cansado, trôpego, exaurido
De forças no combate pela pátria; Algum já reformado por inválido, Que honrosas cicatrizes inda mostra Nas rugas do semblante intercaladas;
Que chora pelas glórias do passado E lamenta as misérias do presente, E treme das borrascas do futuro! Tudo o mais são apóstatas infames,
Ou subterrâneos vermes que subiram À flor do chão no revolver da gleba, Ou faminto Esaú, que barateia Direitos pelo prato de lentilhas,
De estômago maior que o Pão de Açúcar. Tais são, tais são as cousas deste mundo! Na esfera patriótica em que volvem-se Os astros que iluminam, que dissipam
As trevas da ignorância, e de egoísmo, Tivemos de subir para o zenite, E agora descambamos ao Nadir. Tais são, tais são as cousas deste mundo!
A malícia dos homens progredira Com tanta rapidez nas priscas eras; Foi tão degenerada a raça humana, Tanto avançou na estrada do delito,
Que a mezinha eficaz de tal moléstia Foi terrível dilúvio que inundou As terras e os viventes, tudo e todos! Somente um varão justo foi isento
Dos rigores da cólera divina; Salvou consigo a prole abençoada Nas tábuas de uma barca sobre as águas, E assim regenerou-se a raça humana!
Tais são, tais são as cousas deste mundo! Na ordem social, moral, ou física, Regenera-se a essência depravada. Se horrível cataclismo é inevitável;
Se o dilúvio de sangue é necessário Para lavar as máculas da culpa, Da culpa social que nos corrói... A mão da Providência nos ampare,
O lenho de Noé dê couto e abrigo À prole Brasileira abençoada; E a pomba exploradora regredindo Com pacífico ramo de oliveira,
Ao menos a esperança nos alente. Tais são, tais são as cousas deste mundo!
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