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1861–1898

Versos

João da Cruz e Sousa

Bravo, prole bendita Pois à glória infinita O lutar vos conduz! É assim — trabalhando

Sempre e sempre estudando Que se alcança mais luz! Contemplai estas flores Estes tantos lavores

Contemplai o painel! Repetindo orgulhosos Estes feitos briosos São dum belo pincel!

Eia, jovens, avante! Ser artista é brilhante, Trabalhar é uma lei! Não são só os c’roados

Que merecem em brados Ter as honras de rei! O artista qu’é pobre É tão rico, é tão nobre

Qual potente césar! E a glória bem cedo Lhe murmura o segredo — És artista — és sem par!

Não temais os pampeiros Sois gentis brasileiros Deveis pois progredir! Quem vos traça na história

Vossa augusta memória É um deus — O Porvir! Levantai-vos potentes Altanados, ingentes

E fazei-vos Criseus! Só quem pode vergar-vos E pensar obumbrar-vos Mais ninguém — é só Deus!

Não fiqueis ignavos Que o futuro dá bravos Vos dizendo — estudai! Sois humanos — portanto

Se há de trevas um manto Apressai-vos, rasgai! Nossa pátria querida Necessita mais vida,

Necessita crescer! É preciso contudo Que tenhais como escudo Quem vos mostra o saber!

E de obreiros altivos, Que sereis redivivos Que sereis imortais, Achareis vossos nomes

Vossos grandes renomes Nas mansões divinais! Perdoai-me estas flores Que tão murchas, sem cores

Nada podem valer! São ofertas sinceras Arrancadas deveras Para vir vos trazer!

Palinuros — à frente Esse trilho é ridente Dás-vos honra, louvor! Quem o braço vos guia

Nunca, nunca entibia — — É artista... e pintor! É a vós a quem falo E se hoje eu não calo

Estas vãs expressões! É que a louca alegria Em minh’alma irradia Com fulgentes clarões!

O trabalho enobrece Glorifica, engrandece Aos artistas quais vós! Que zombando da sorte

Têm a tela por norte Os pincéis por faróis! Eia! nessa carreira Qual a nau sobranceira

Indo o mar a fender! Quando há negros abrolhos, Mil cachopos, escolhos É mais belo o vencer!

Se o lutar é dos grandes Que são gêmeos dos Andes Que não sabem tombar! Colhereis uma glória

Mais suprema memória, Trabalhando, a lutar! Deus, o Deus sublimado Disse ao homem num brado,

Da sidérea mansão! — Vai depressa arrimar-te Aos arcanos da arte, Que terás um bordão!

Onde há braços d’artista E seu ponto de vista Decepar escarcéus! E seu gládio seguro

Vai cavar o futuro Vai rasgar negros véus! E lá quando os vindouros Vos c’roarem de louros

Vos erguerem docel! Bradarão altaneiros: — Exultai brasileiros, Ressurgiu Rafael!

Não temais os insanos, Insensatos humanos Bajulantes e maus! Trabalhai muito embora!

Há de vir uma aurora P’ra arrancá-los do caos! Away, estudantes Sois vergônteas pujantes

A lauréis tendes jus! Caminhai com coragem, Qu’esta é a romagem Dos apóstolos da luz!!!...

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