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1861–1898

Verão

João da Cruz e Sousa

Pelos estios enormes, Nas caladas morbidezas, Nas atmosferas de brasas, Os insetos multiformes

Ardem, com flamas acesas, Voam com fogo nas asas. Entre os tórridos aspectos, Nos inflamados ardores,

Nas tropicais perspectivas Zumbem quentes os insetos D’apopléticos calores, Como iriais centelhas vivas.

Na labareda sangrenta Do sol profundo e nervoso, De calidíssima origem, A chusma d’insetos, lenta,

Zumbe, ferve no ar pomposo, Numa elétrica vertigem. Ferve a chusma undiflavada Na sangrenta labareda,

Em goivos no ardente espaço; E na forte luz vibrada As suas asas de seda São rijas como asas d’aço.

Que só o equilíbrio e a força Da natureza impulsora Pode fazer — os radiarem Sem que uma asa se contorça,

Sem na chama geradora As antenas estalarem!

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