Pelos estios enormes,
Nas caladas morbidezas,
Nas atmosferas de brasas,
Os insetos multiformes
Ardem, com flamas acesas,
Voam com fogo nas asas.
Entre os tórridos aspectos,
Nos inflamados ardores,
Nas tropicais perspectivas
Zumbem quentes os insetos
D’apopléticos calores,
Como iriais centelhas vivas.
Na labareda sangrenta
Do sol profundo e nervoso,
De calidíssima origem,
A chusma d’insetos, lenta,
Zumbe, ferve no ar pomposo,
Numa elétrica vertigem.
Ferve a chusma undiflavada
Na sangrenta labareda,
Em goivos no ardente espaço;
E na forte luz vibrada
As suas asas de seda
São rijas como asas d’aço.
Que só o equilíbrio e a força
Da natureza impulsora
Pode fazer — os radiarem
Sem que uma asa se contorça,
Sem na chama geradora
As antenas estalarem!