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1861–1898

V

João da Cruz e Sousa

Eis as canções e adeuses de saudade Que as desgraçadas almas palpitantes Soluçam na sombria imensidade Desta vida de angústias lacerantes.

Ao mar! Ao mar! Frescas aragens puras Aflam nas ondas maviosamente. Que balada de plácidas venturas, Que sinfonias, que gemer dolente!

Os céus abertos, claros, luminosos Lembram a candidez branda das virgens. Vítreos ares, magníficos, radiosos Onde o sol arde em férvidas vertigens.

Lindíssimos painéis, bela paisagem Abre na vista do viajante o ouro Da luz que salta como uma homenagem De oriental, esplêndido tesouro.

Vai bem, vai muito bem, mesmo, o navio. As vagas desenrolam-se de leve. Parece um berço por de sobre um rio Manso, prateado, espúmeo, cor de neve.

Vive-se a bordo como em terra. — As vagas Nunca foram tão doces e tão meigas, Como em desertas, viridentes plagas É doce e meigo o mole chão das veigas.

Viver assim, na realidade, é gozo Que até parece não haver na terra! Tão belo é o mar, tão calmo e bonançoso, Tal confiança nos semblantes erra!

Vogando assim a embarcação, quem pensa Ir acordado afora pela Vida?! Tudo é um sonho de esperança imensa Um bom sonho de aurora indefinida.

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