Pelos vergéis não há flores,
Foi-se o aspecto soberano
Das rosas, mas teus amores
Dão rosas de todo ano.
Suspirem essas campinas,
Gemam vales congelados:
Pela tu’alma as boninas
Florescem mais que nos prados.
Solucem as laranjeiras
Sem flores nas suas ramas;
Tu tens flores quando queiras
Porque és formosa e porque amas.
Não há jardim mais florido
Que o teu coração cheiroso...
Junto dele é ressequido
Qualquer pomar viçoso.
Canta lá, como em floresta,
O bando das esperanças,
Tal qual a doirada festa
De pombas e de crianças.
Teu coração faz encanto
Vê-lo assim, fresco e risonho,
Com tanto carinho, tanto,
Tanto amor e tanto sonho.
Vê-lo em c’roas e em grinaldas
De heliotropos e rosas,
Verde como as esmeraldas
Das folhagens cetinosas.
Vê-lo bater, abrir asas
Como ave de primavera
Por entre as acesas brasas
Dos acasos da quimera...