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1861–1898

Untitled

João da Cruz e Sousa

Pelos vergéis não há flores, Foi-se o aspecto soberano Das rosas, mas teus amores Dão rosas de todo ano.

Suspirem essas campinas, Gemam vales congelados: Pela tu’alma as boninas Florescem mais que nos prados.

Solucem as laranjeiras Sem flores nas suas ramas; Tu tens flores quando queiras Porque és formosa e porque amas.

Não há jardim mais florido Que o teu coração cheiroso... Junto dele é ressequido Qualquer pomar viçoso.

Canta lá, como em floresta, O bando das esperanças, Tal qual a doirada festa De pombas e de crianças.

Teu coração faz encanto Vê-lo assim, fresco e risonho, Com tanto carinho, tanto, Tanto amor e tanto sonho.

Vê-lo em c’roas e em grinaldas De heliotropos e rosas, Verde como as esmeraldas Das folhagens cetinosas.

Vê-lo bater, abrir asas Como ave de primavera Por entre as acesas brasas Dos acasos da quimera...

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