Ela é um anjo de gentil beleza, Uma das virgens divinais da terra, O que su’alma de pudor encerra Nem pode a lira sem tremer, cantar!...
Nos rubros lábios, cetinais, mimosos Tem mil sorrisos d’ideais encantos E os mais castos e sutis quebrantos no brando olhar!...
Deus fez os mares e o céu e a terra, Fez os mais astros de uma luz sidérea, Que se livrando na mansão etérea Despedem raios do maior fulgor!...
Criou as aves nos vergéis agrestes, Tudo o que vemos neste globo infindo Mas nada ainda tão gazil, tão lindo como essa flor!...
A flux nos ombros delicados dela, Caem-lhe negras, cetinosas tranças, Onde se ocultam mil febris esp’ranças Crenças felizes dum viver do Céu!...
E em seu peito que é de luz sacrário, Algum mistério primoroso existe, Bem como a lua que se mostra triste por entre um véu!...
Será, amigo, essa chama ardente Chama sagrada que requeima e mata O que às vezes no olhar retrata Essa deidade que decanto aqui?!...
Serão amores?! por acaso ao menos Quando acalenta do porvir seus sonhos Puros, amenos, com fervor, risonhos pensará em ti?!
Oh! sim!... de certo, pois te ama... e muito!... E tu, perdido, desvairado — vagas Por essas ledas, ignotas plagas Pelas serenas regiões sem fim,
Quando um sorriso peregrino e santo, Cheio de aroma, de pureza e graça Dos lábios dela, levemente passa sobre o carmim!...
É belo amar-se no calor dos anos!... Sentir o peito referver de amores, Sem ter ciência do que são as dores, O negro pranto deste mundo atroz!...
Ama constante, fervoroso e crente, Mergulha a alma nesse amor sublime, Que o doce quadro do prazer dirime... se afasta veloz!...
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