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1861–1898

Trovas

João da Cruz e Sousa

Um brigue de velas pandas, E bandeirolas nos mastros, Andou por aquelas bandas, Rutinado pelos astros.

Rutinou sempre pra Leste, Com marujosos portugueses, E ao cabo de muitos meses Voltou com vento Nordeste.

E o trouxe ele no bojo? — Trouxe quarenta cativos; Peitos tristes, aflitivos, No mais tristíssimo apojo.

E assim que foram chegados Batizou-os o vigário. E depois de batizados, Que suplício extraordinário!

Todos à roça, ao trabalho, Doentes ou não doentes, Sob o maldito espantalho Dos chicotes reluzentes.

E quem, triste, se queixava De não ter força e saúde, Incontinente apanhava A chicotada mais rude.

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