Um brigue de velas pandas,
E bandeirolas nos mastros,
Andou por aquelas bandas,
Rutinado pelos astros.
Rutinou sempre pra Leste,
Com marujosos portugueses,
E ao cabo de muitos meses
Voltou com vento Nordeste.
E o trouxe ele no bojo?
— Trouxe quarenta cativos;
Peitos tristes, aflitivos,
No mais tristíssimo apojo.
E assim que foram chegados
Batizou-os o vigário.
E depois de batizados,
Que suplício extraordinário!
Todos à roça, ao trabalho,
Doentes ou não doentes,
Sob o maldito espantalho
Dos chicotes reluzentes.
E quem, triste, se queixava
De não ter força e saúde,
Incontinente apanhava
A chicotada mais rude.