Skip to content
1861–1898

Trompa de Roldão

João da Cruz e Sousa

Rude e membrudo deus peludo, hirsuto, Convulso como um torvo Laocoonte, Em que mundo, em que céu, em que horizonte Foste gerado assim horrendo e bruto?

Que fruto podre, que maldito fruto Envenenado, d’algum pétreo monte Tragaste — que só tens no olhar, na fronte E dentro d’alma o mais tremendo luto?

Que devastadas e longínquas terras, Que sociedades, religiões e guerras Deram-te à Dor o aspecto assim profundo? Quem és, ó deus peludo, ó deus nefando?...

Ah! és o homem, bem sei, e vens calçando A pata de Satã por sobre o mundo!

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
Trompa de Roldão · João da Cruz e Sousa · Poetry Cove