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1861–1898

Surdinas

João da Cruz e Sousa

Vais partir, vais partir que eu bem te vejo Na branca face os gélidos suores, Vais procurar as musicas melhores Do sol, da glória e do celeste beijo.

Dentro de ti harpas do desejo Não vibram mais — embora que tu chores — Nem pelas tuas aflições maiores Se escuta um vago e enfraquecido arpejo...

Bem! vais partir, vais demandar esferas Amplas de luz, feitas de primaveras, Paisagens novas e amplidão florida... Mas ao chegar-te a lágrima infinita,

Lembra-te ainda, ó pálida bonita De que houve alguém que te adorou na vida.

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