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1861–1898

Smorzando

João da Cruz e Sousa

O véu da tarde cai pelas quebradas Das serras altaneiras; As aves condoreiras Rompem da mata em místicas risadas

O largo espaço intérmino cindindo. A livre natureza, Humildemente, pura, vai caindo, Caindo de joelhos

Como esse denso véu Cai na viril e rútila grandeza Do sol que desce em borbotões vermelhos Como uma mancha tropical no céu.

E vibra a Ave-Maria Como um soluço, estranho, indefinido; Talvez como um gemido Dentre a escalvada e agreste serrania.

E desce e desce e desce De toda a imensidade A salutar carícia de uma prece, O eflúvio da saudade

Que alaga o nosso peito heroicamente Como o luar de um treno Mavioso e emoliente, Mais doce que o sorrir do Nazareno.

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