Ontem, grande desgraça Que o povo se abraça D’Itajaí em geral! Ontem, o cetro divino
Que se tornando ferino Tudo esmaga afinal! Ontem, prantos e dor... Grandes gritos d’horror...
A fatal confusão! Ontem, lampas perdidas De centenas de vidas, Que nas águas lá vão!
Ontem, negras as vagas, Os belos céus, essas plagas, — Onde existe o Senhor! Ontem, — fatalidade!
A pobrezinha cidade Toda envolta em negror! Hoje, oh! Deus sempiterno! — O teu gládio superno
De bonança a irradir, Veio ao povo esmagado Ao tredo peso do fado Fazer do caos ressurgir!
Hoje, o íris brilhante Lá nos céus, radiante, Já se faz divulgar! E todo o povo prostrado
Te agradece arroubado Mas ainda a chorar! E corações caridosos Farão a dar pressurosos
Os seus globos gentis! Dai! é doce a esmola! Ela aos pobres consola, Torna-os ledos, gazis!
A miséria chorava Em delírio bradava Por um pouco de pão! E eles foram dizendo
— Ide, pois vos mantendo, Aqui tendes a mão! E vós — lá no tablado, O mor rasgo, elevado,
De fazer acabais! E um rasgo de glória De brilhante memória Pros vindouros anais!
Vós fazeis do cenário Um dinal santuário Trabalhando p’ra pobres! Mostrais bem que nas almas
Possuís celsas palmas De ações muito nobres! P’ra louvar amadores, Tantas lutas, labores,
Tanta excelsa virtude! Ah! me falta uma lira Que um poema desfira... Ai! me falta alaúde!
Só Deus pode dar louros De mil glórias, tesouros, Como vós mereceis! Pois que feitos são divos,
Tão imensos, altivos Só d’heróis ou de reis! Amadores briosos! Vós sois tão valorosos
Qual os bravos na guerra! Sois os nautas valentes Socorrendo ridentes Quem cá gema na terra!
Amor, Deus, Caridade — E a sublime trindade Radiante de Luz! Donde vós, amadores,
Lá colheis os fulgores, De mil graças a flux!
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