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1861–1898

Saudação

João da Cruz e Sousa

Como esta luz é serena, Como esta luz é sincera; Como eu vejo a primavera Num lápis e numa pena.

Que prismas de luz ardente, Que prismas de luz suave; Como eu sinto um canto de ave Em cada boca inocente.

Sim! Que o estudo é como a aurora Que nos entra pela casa, Num vivo fulgor de brasa, Vibrante, alegre, sonora.

Ele rasga a treva espessa, Num só momento — cantando; Vai estrelas semeando Em cada tenra cabeça.

Tira os crânios do letargo Da ignorância — pois entra Como um sol e se concentra Num esplendor muito largo.

Quem, ó Arte imaculada, Medisse o ser da criança, Pela alma de uma esperança Pela alma de uma alvorada.

Quem aos páramos subindo, Eternamente pudesse, Dos astros a loura messe Arrancar — depois abrindo

Os peitos das criancinhas Jogá-los dentro e beijá-las Cheias de pompa e das galas Que a luz concede às rainhas!...

Pois que a treva entre fulgores, É como, dentre ataúdes, Rebentar como virtudes, As mais simpáticas flores.

Ah! Ninguém sabe, por certo, Quanto é bom, quanto é saudável, Sentir a crença adorável Como um clarão sempre aberto.

Ver os germens do futuro No campo eterno da escola Brilhando como a corola De um lírio cândido e puro.

Ver morrer — como uns invernos Da vida, os velhos colossos E ver erguerem-se os moços Como verões sempiternos.

Mães, ó mães tão estremosas, Dos vossos ventres fecundos Saem todos esses mundos Das ideias fulgurosas.

Tudo isso quanto há escrito De pensamento e crenças Saiu das fontes imensas De um grande amor infinito.

E desde a escrita a leitura E desde um livro a uma carta, A bondade sempre farta Das mães — esplende e fulgura.

Bom dia ao mestre que é guia Das belas crianças louras! Bom dia às mães porvindouras, À mocidade — Bom dia!

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