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1861–1898

Rosa negra

João da Cruz e Sousa

Nervosa Flor, carnívora, suprema, Flor dos sonhos da Morte, Flor sombria, Nos labirintos da tu’alma fria Deixa que eu sofra, me debata e gema.

Do Dante o atroz, o tenebroso lema Do Inferno a porta em trágica ironia, Eu vejo, com terrível agonia, Sobre o teu coração, torvo problema.

Flor do delírio, flor do sangue estuoso Que explode, porejando, caudaloso, Das volúpias da carne nos gemidos. Rosa negra da treva, Flor do nada,

Dá-me essa boca acídula, rasgada, Que vale mais que os corações proibidos!

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