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1861–1898

Roma pagã

João da Cruz e Sousa

Na antiga Roma, quando a saturnal fremente Exerceu sobre tudo o báquico domínio, Não era raro ver nos gozos do triclínio A nudez feminina imperiosa e quente.

O corpo de alabastro, olímpico e fulgente, Lascivamente nu, correto e retilíneo, Num doce tom de cor, esplêndido e sanguíneo, Tinha o assombro da carne e a forma da serpente.

A luz atravessava em frocos d’oiro e rosa Pela fresca epiderme, ebúrnea e cetinosa, Macia, da maciez dulcíssima de arminhos. Menos raro, porém, do que a nudez romana

Era ver borbulhar, em férvida espadana A púrpura do sangue e a púrpura dos vinhos.

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