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1861–1898

Repouso

João da Cruz e Sousa

A cabeça pendida docemente Em sonhos, sonha o sonhador inquieto, Repousa e nesse repousar discreto É sempre o sonho o seu bordão clemente.

Cego desta Prisão impenitente Da Terra e cego do profundo Afeto, O sonho é sempre o seu bordão secreto O seu guia divino e refulgente.

Nem no repouso encontra a paz que espera, Para lhe adormecer toda a quimera, Os círculos fatais do seu Inferno. Entre a calma aparente, a estranha calma,

O seu repouso é sempre a febre d’alma, O seu repouso é sonho, e sonho eterno.

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