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1861–1898

Regina Coeli

João da Cruz e Sousa

Ó Virgem branca, Estrela dos altares, Ó Rosa pulcra dos Rosais polares! Branca, do alvor das âmbulas sagradas E das níveas camélias regeladas.

Das brancuras de seda sem desmaios E da lua de linho em nimbo e raios. Regina Coeli das sidéreas flores, Hóstia da Extrema-Unção de tantas dores.

Ave de prata e azul, Ave dos astros... Santelmo aceso, a cintilar nos mastros... Gôndola etérea de onde o Sonho emerge... Água Lustral que o meu Pecado asperge.

Bandolim do luar, Campo de giesta, Igreja matinal gorjeando em festa. Aroma, Cor e Som das Ladainhas De Maio e Vinha verde dentre as vinhas,

Dá-me através de cânticos, de rezas, O Bem, que almas acerbas torna ilesas. O Vinho d’ouro, ideal, que purifica das seivas juvenis a força rica.

Ah! faz surgir, que brote e que floresça A Vinha d’ouro e o vinho resplandeça. Pela Graça imortal dos teus Reinados Que a Vinha os frutos desabroche iriados.

Que frutos, flores essa Vinha brote Do céu sob o estrelado chamalote. Que a luxúria poreje de áureos cachos E eu um vinho de sol beba aos riachos.

Virgem, Regina, Eucaristia, Coeli, Vinho é o clarão que teu Amor impele. Que desabrocha ensanguentadas rosas Dentro das naturezas luminosas.

Ó Regina do Mar! Coeli! Regina! Ó Lâmpada das naves do Infinito! Todo o Mistério azul desta Surdina Vem d’estranhos Missais de um novo Rito!...

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