Recordações! — E para que de tudo
Aquilo que morreu e está passado,
Frio, gelado, para sempre mudo,
Recordar o perfume idolatrado?!
Para que prosseguir, tomar ainda
Às mesmas passageiras ilusões,
Se ao mesmo tempo que começa finda
A crença e a fé dos nossos corações?
Para que revolver cinzas tão frias
E sofrer mais que nas passadas eras
O tormento, o pesar que as alegrias
No peito faz emurchecer deveras?
Oh! deixemos dormir no esquecimento
Os sonhos findos, ilusórios, vãos;
E sejamos, num doce pensamento,
Na vida, apenas como dois irmãos.