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1861–1898

Recordações

João da Cruz e Sousa

Recordações! — E para que de tudo Aquilo que morreu e está passado, Frio, gelado, para sempre mudo, Recordar o perfume idolatrado?!

Para que prosseguir, tomar ainda Às mesmas passageiras ilusões, Se ao mesmo tempo que começa finda A crença e a fé dos nossos corações?

Para que revolver cinzas tão frias E sofrer mais que nas passadas eras O tormento, o pesar que as alegrias No peito faz emurchecer deveras?

Oh! deixemos dormir no esquecimento Os sonhos findos, ilusórios, vãos; E sejamos, num doce pensamento, Na vida, apenas como dois irmãos.

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