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1861–1898

“Porque o amor uma vez interrompido”

João da Cruz e Sousa

Porque o amor uma vez interrompido Não tem a igual efervescência de antes, E fica indiferente, enfraquecido Como os vagos amores inconstantes...

Perde todo o calor e toda a forte Chama que as duas almas aqueceu; E se parece a regiões da morte Onde em sepulcros uma flor nasceu.

Que nunca mais teus olhos me procurem Cheios de afago e de carinho cheios... Que seja o amor que eles contritos jurem Como de uns olhos para mim alheios.

Pois tudo o que os teus olhos me disserem Para reatar um fio que quebrou, Lembra punhais e lanças que ainda ferem A ventura que cedo se acabou.

Não me recordes, não me lembres esse Passado alegre e ao mesmo tempo triste... Porque eu estou como se já morresse E dentro em mim já nada mais existe.

Se eu torno a ver-te presa nos meus braços, Se eu sinto a palma dessa mão tocar Na minha, e a beijo, como os frouxos laços Do nosso afeto têm de se apertar?!

Não! Não! Deixa-me assim! Que eu viva embora Dessa recordação de dor, sozinho! E se em caminho eu te encontrar agora Não te lembres de mim pelo caminho.

Que eternamente nós nos separemos Pela existência, sem saudades mais! E um dia, que talvez nos encontremos, Que nenhum de nós dois olhe pra trás!

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