Porque o amor uma vez interrompido
Não tem a igual efervescência de antes,
E fica indiferente, enfraquecido
Como os vagos amores inconstantes...
Perde todo o calor e toda a forte
Chama que as duas almas aqueceu;
E se parece a regiões da morte
Onde em sepulcros uma flor nasceu.
Que nunca mais teus olhos me procurem
Cheios de afago e de carinho cheios...
Que seja o amor que eles contritos jurem
Como de uns olhos para mim alheios.
Pois tudo o que os teus olhos me disserem
Para reatar um fio que quebrou,
Lembra punhais e lanças que ainda ferem
A ventura que cedo se acabou.
Não me recordes, não me lembres esse
Passado alegre e ao mesmo tempo triste...
Porque eu estou como se já morresse
E dentro em mim já nada mais existe.
Se eu torno a ver-te presa nos meus braços,
Se eu sinto a palma dessa mão tocar
Na minha, e a beijo, como os frouxos laços
Do nosso afeto têm de se apertar?!
Não! Não! Deixa-me assim! Que eu viva embora
Dessa recordação de dor, sozinho!
E se em caminho eu te encontrar agora
Não te lembres de mim pelo caminho.
Que eternamente nós nos separemos
Pela existência, sem saudades mais!
E um dia, que talvez nos encontremos,
Que nenhum de nós dois olhe pra trás!