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1861–1898

Papoula

João da Cruz e Sousa

Assim loura és mais formosa Do que se fosses trigueira: Corpo de eflúvios de rosa Com esbeltez de palmeira.

Vestida de cor da aurora Leve dos fluidos da graça, És uma estrela sonora Que, em sonhos, pelo éter passe.

Resplandece em teu cabelo Um fulgor de sol dourado, Que só de senti-lo e vê-lo Fica tudo iluminado.

Do teu branco leque aberto Que lembra uma asa de garça, Aspiro um perfume incerto, Talvez a tua alma esparsa.

Num resplendor de madona E altivez de corça arisca Surges da luz entre a zona Com quebrantos de odalisca.

Que venha o duque normando De castelos escoceses Com seu ar bizarro e brando Amar-te os olhos ingleses.

E entre aromas e frescores E revoadas de abelhas, Como num campo de flores Que esse olhar vibre centelhas.

Que cantem na tua boca As alegrias radiadas, Numa ideal rajada louca De voos de passaradas.

Que como os astros no espaço, Teu encanto resplandeça... Com pelúcias no regaço E asas de ave na cabeça.

E que os teus dois seios puros Que o amor fecundando beija Fiquem cheios e maduros Com dois bicos de cereja.

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