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1861–1898

Os mortos

João da Cruz e Sousa

Ao menos junto dos mortos pode a gente Crer e esperar n’alguma suavidade: Crer no doce consolo da saudade E esperar do descanso eternamente.

Junto aos mortos, por certo, a fé ardente Não perde a sua viva claridade; Cantam as aves do céu na intimidade Do coração o mais indiferente.

Os mortos dão-nos paz imensa à vida, Dão a lembrança vaga, indefinida Dos seus feitos gentis, nobres, altivos. Nas lutas vãs do tenebroso mundo

Os mortos são ainda o bem profundo Que nos faz esquecer o horror dos vivos.

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