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1861–1898

O sonho do astrólogo

João da Cruz e Sousa

As fulgurosas, rútilas estrelas Como mundos de mundos seculares, Formando uns arquipélagos, uns mares De luz — como eu deslumbro o olhar ao vê-las.

Ah! se como eu sei compreendê-las, Sentir-lhes os seus filtros salutares, Pudesse, da amplidão fria dos ares Arrancá-las, na mão sempre trazê-las;

Que vagalhões de assombros palpitantes Não me viriam perpassar, faiscantes, Dentro do ser, nuns doutros murmúrios. Eu saberia muito mais a causa

Da evolução que nunca teve pausa, Que é uma audácia transbordando em rios.

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