Quando eu o vejo no salão radioso,
Cabeça aberta, sacudindo os guisos,
Deitado às vezes nos tapetes lisos,
Como um paxá no harém voluptuoso;
Todo embebido no luar de um gozo
Que vem de azuis e estranhos paraísos,
Como que um brilho especial de risos
Doces, leais, no olhar vitorioso;
Lembro essa triste humanidade, aquela
Que dentro em si traz uivo de procela
Com rugidoras fúrias de trovão.
Pasmo e me assombro da ironia ardente
Porque bem sei que existe muita gente
Menos feliz até do que esse cão.