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1861–1898

O cão do fidalgo

João da Cruz e Sousa

Quando eu o vejo no salão radioso, Cabeça aberta, sacudindo os guisos, Deitado às vezes nos tapetes lisos, Como um paxá no harém voluptuoso;

Todo embebido no luar de um gozo Que vem de azuis e estranhos paraísos, Como que um brilho especial de risos Doces, leais, no olhar vitorioso;

Lembro essa triste humanidade, aquela Que dentro em si traz uivo de procela Com rugidoras fúrias de trovão. Pasmo e me assombro da ironia ardente

Porque bem sei que existe muita gente Menos feliz até do que esse cão.

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