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1861–1898

Na vila

João da Cruz e Sousa

Nos ervaçais vibrou o sol agora, Nas fitas verdes dos canaviais... Como rompesse loura e fresca a aurora Agora o sol vibrou nos ervaçais.

Murmurejam de alegres os caminhos Que até parecem, límpidos, cantar Na música melódica dos ninhos Que vai nos ares se cristalizar.

Floresce tudo, em toda parte flores Neste maio feliz, e tão feliz Que as plantas exuberam de vigores Desde a profunda, pródiga raiz.

Noivam as aves junto dos riachos No seu alado alvorecer de amor; E o coqueiral, com os amarelos cachos, Pompeia de riquíssimo verdor.

Fluem na sombra meigas fontes claras Sob o frondente e vasto laranjal E para além magníficas searas Se estendem como um leito virginal.

Na serena paz vegetativa Faz docemente tudo adormecer Mas num sono de luz doirada e viva, Quase a dormência de quem vai morrer...

Ah! que o silêncio, a solidão dos ermos, Das agrestes paragens do sertão Se dão saúdes a espíritos enfermos Também supremas nostalgias dão!

A volúpia letal do meio-dia, Nas horas encalmadas, sob a luz, Dá duma campa a atroz melancolia Assinalada numa simples cruz.

Depois o campo na mudez da vila, Aquela eterna e soberana paz Da imensa vastidão sempre tranquila Como que punge e que entristece mais!

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