Skip to content
1861–1898

Luar

João da Cruz e Sousa

Pelas esferas, nuvens peregrinas, Brandas de toques, encaracoladas, Passam de longe, tímidas, nevadas, Cruzando o azul sereno das colinas.

Sombras da tarde, sombras vespertinas Como escumilhas leves, delicadas, Caem da serra oblonga nas quebradas, Vão penumbrando as coisas cristalinas.

Rasga o silêncio a nota chã, plangente, Da Ave-Maria, — e então, nervosamente, Nuns inefáveis, espontâneos jorros Esbate o luar, de forma admirável,

Claro, bondoso, elétrico, saudável, Na curvilínea compridão dos mortos.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
Luar · João da Cruz e Sousa · Poetry Cove